Sustentabilidade

como emagrecer

O que é sustentabilidade

Termo cunhado no fim do século XX, sustentabilidade designa a característica daquilo que for concebido pelo homem (processos, atitudes, etc.) levando em consideração algum grau de sensibilidade diante da consciência da iminente inviabilização da vida na Terra, proporcionada pelo conjunto das atividades humanas (nossa definição, ajustada ao uso da palavra).

Há, também, a definição forte de sustentabilidade, que designaria a adequação das atividades humanas a uma possibilidade de manutenção por prazo indeterminado, ou seja, sem comprometer as gerações futuras. Porém, na prática, a expressão não é usada com esse sentido.

O uso corrente da palavra sustentabilidade emprega seu sentido fraco, designando algo relativo: uma atitude é “mais sustentável” que outra, na medida em que esse “grau de sensibilidade” (que mencionamos no conceito de sustentabilidade) for maior. A sustentabilidade em termos absolutos não é cogitada ainda por governos ou agentes (indivíduos e empresas).

Embora o núcleo da sustentabilidade seja ambiental, os setores mais vanguardistas da sociedade tentam incutir no conceito as nobres noções de diversidade (diversidade de culturas, por exemplo) e de justiça (sustentabilidade social), ao passo que outros o condicionam à noção do economicamente viável.


Sustentabilidade social

Na verdade, só existe pobreza real em um meio ambiente poluído, degradado e superpovoado. Ao contrário do que se pensa, as populações tradicionais e rurais não vivem, em geral, sob a premência da necessidade. Assim, a existência da pobreza absoluta ocorre quando e onde o modo de vida é excessivamente artificial.

Ao longo da história, as culturas e sociedades se sucederam e, não fosse o (possivelmente) irreparável dano ambiental que se está a produzir, não haveria motivo para acreditar que a distribuição desigual de riquezas não estaria fadada a sofrer os mesmos ciclos.

Assim, a chamada sustentabilidade social somente se relaciona indiretamente com sustentabilidade, na medida em que, nesses ambientes extremamente artificiais, tais injustiças forçam as camadas mais pobres da população a atitudes insustentáveis (como o tráfico de animais silvestres por caçadores pobres).

Não que não sejam importantes as atitudes que levam esse rótulo. Apenas estão mal classificadas. Deveriam, antes, serem classificadas como responsabilidade social.

Sustentabilidade ambiental

A sustentabilidade ambiental pode ser analisada de uma maneira ampla, mas pode também ser vista sob alguns prismas:

Importa analisar o consumo ponderado e prudente de recursos naturais, a quantidade de lixo produzida, o uso responsável de espaços públicos, o respeito pela diversidade (inclusive de fauna e flora) e educação das novas gerações
Aqui, todos os momentos da produção são relevantes. No setor primário, importa manter os recursos renováveis, renováveis (em vez de destruir a fonte), quanto aos não-renováveis, dever-se-ia discutir a conveniência para a sociedade, de sua exploração. No setor secundário, o principal problema está na produção de rejeitos diretamente (lançados na atmosfera, rios ou no solo), ou indiretamente, como as embalagens, que poluem pelas mãos de outrem, no caso, o consumidor. O setor terciário é muito variado e depende da atividade desenvolvida.

O governo atua, por um lado, como um grande indivíduo, consumindo uma infinidade de recursos (e deveria tomar atitudes como compras verdes, transporte público verde, etc.), mas, também, como uma fonte normativa (na elaboração de políticas públicas, inclusive de educação; o Plano Diretor das cidades deveria prever um mínimo de área verde e permeável, por exemplo). Portanto, deveria, não fosse retrógrado e corrompido (sempre), elaborar normas mais verdes também, para pautar a ação das empresas e dos indivíduos.



Principal dilema da sustentabilidade

O principal dilema é conciliar sustentabilidade com a necessidade sistêmica e obsessiva de crescimento econômico contínuo.

Em parte, o crescimento econômico é justificado pelo crescimento populacional. Porém, na pressão sobre os recursos naturais, o crescimento populacional se soma aos excêntricos hábitos da sociedade de consumo (baseados, muitas vezes, em desejos incompreensíveis).

Os conservadores alegam que não seria necessário preocupação ambiental, já que a natureza sempre recuperaria seu equilíbrio. Porém, se essa afirmativa é válida para recursos como o minério de ferro e ouro (que mantém sua composição), a produção de resíduos tóxicos não-naturais (principalmente por obra da química moderna) põe em dúvida essa hipótese.

A mudança do paradigma quantitativo para o qualitativo.

Passar da cultura do “mais” para a cultura do “melhor”. Essa é uma ideia.

Na cultura do “mais”, em que vivemos, se o Brasil produz mais cigarro, o governo comemora, pois o PIB, a arrecadação e o número de empregos na área de saúde aumentam!

Na cultura do “melhor”, dados como o PIB seriam irrelevantes. A criação da Felicidade Interna Bruta no Butão seria um símbolo disso, embora talvez devesse ser aprimorada com indicadores de “qualidade do ar”, “qualidade da água”, etc.

Ocorre que, a cada eleição só se fala em economia e dinheiro, como se dinheiro pudesse comprar a felicidade e se essa prescindisse de um ambiente saudável. De maneira que essa cultura deveria ser quebrada. Começando-se pela a escola (mais fácil, dependendo de empenho governamental) e pelos meios de comunicação(o que é bem difícil, já que as empresas poluidoras são as que mais geram receita aos meios de comunicação, por meio de anúncios em que alegam cinicamente sustentabilidade e responsabilidade social).

Considerando-se a manutenção do sistema de produção atual, a mudança no paradigma, se adotada, poderia gerar um novo norte para as empresas, que deveriam passar a rever suas metas, de termos econômicos, para termos econômicos e ambientais. Porém, as empresas serão as últimas a mudarem seus modelos, pois são criadas para suprir demandas das famílias em obediência às regras estipuladas pelos governos. Assim, primeiro as famílias precisam de demandar algo diferente e o governo incentivar/punir empresas de acordo com novas regras, para que, enfim, as empresas naturalmente se movam em uma nova direção.

Do contrário, esperar atitudes de empresários bonzinhos é acreditar em uma espécie de Papai Noel.

Soluções sustentáveis:

  • Do governo: Há muito o que fazer se fazer do ponto de vista normativo, a começar pela taxação de veículos movidos a combustíveis fósseis (e respectivo subsídio a tecnologias menos poluidoras).
  • Das empresas: Pequenas técnicas que no dia-a-dia podem gerar um ganho marginal na economia de recursos naturais são pequenas vitórias e atendem ao conceito relativo de sustentabilidade que mencionamos (embora não atendam à definição absoluta). Porém, tais pequenas vitórias são mais do que compensadas pelo aumento do consumo. Um exemplo de empresa que atende aos critérios relativos de sustentabilidade é a Natura.
  • Das famílias: As soluções da simplicidade e baixo consumo encontram muita resistência cultural. “Ter” e “mostrar” são fundamentais em uma estrutura de busca da felicidade pelo consumo. Enquanto essas noções estiverem culturalmente atreladas, será impossível algum avanço efetivo. A mudança educacional é, portanto, fundamental).